Por que avaliar leitura e escrita?

A avaliação da leitura e da escrita é um processo fundamental para compreender como a criança ou o adolescente aprende, quais habilidades já estão consolidadas e quais demandam intervenção especializada. Mais do que identificar dificuldades aparentes, avaliar permite compreender os processos cognitivos subjacentes ao aprender, possibilitando decisões pedagógicas e terapêuticas mais precisas, éticas e eficazes.


A importância da avaliação baseada em método científico

Avaliar leitura e escrita exige rigor técnico. Por isso, o processo deve ser fundamentado em método científico, utilizando instrumentos validados, padronizados e reconhecidos pela comunidade científica. Isso garante:

  • Confiabilidade dos resultados;

  • Comparação com parâmetros normativos;

  • Redução de vieses subjetivos;

  • Subsídios claros para diagnóstico e planejamento de intervenção.

Uma avaliação científica não se limita à observação do desempenho escolar. Ela investiga como o cérebro processa a informação, considerando aspectos cognitivos, linguísticos e executivos envolvidos na leitura e na escrita.


Leitura e escrita: processos cognitivos envolvidos

A aprendizagem da leitura e da escrita é multifatorial. Dificuldades nesses domínios raramente têm uma única causa. Entre os principais processos avaliados, destacam-se:

Atenção

A atenção é essencial para manter o foco na tarefa, selecionar estímulos relevantes e sustentar o esforço cognitivo durante a leitura e a produção escrita. Alterações atencionais podem comprometer:

  • Decodificação de palavras;

  • Fluência leitora;

  • Compreensão de textos;

  • Organização da escrita.

Memória de trabalho

A memória de trabalho permite manter e manipular informações temporariamente, sendo crucial para:

  • Relacionar sons e letras;

  • Integrar palavras ao sentido da frase;

  • Planejar e revisar o que está sendo escrito.

Déficits nessa função frequentemente impactam a compreensão leitora e a coerência textual.

Linguagem

A linguagem é a base da leitura e da escrita. A avaliação deve contemplar:

  • Vocabulário;

  • Consciência fonológica;

  • Processamento fonológico;

  • Compreensão oral;

  • Estrutura morfossintática.

Dificuldades linguísticas podem se manifestar como trocas na escrita, baixa fluência leitora e prejuízos na compreensão de textos.

Funções executivas

As funções executivas envolvem planejamento, organização, flexibilidade cognitiva, controle inibitório e monitoramento do próprio desempenho. Na leitura e escrita, são essenciais para:

  • Seguir instruções;

  • Organizar ideias;

  • Revisar textos;

  • Adaptar estratégias diante de erros.

Alterações executivas podem gerar produções escritas desorganizadas, leitura impulsiva ou dificuldades em compreender textos mais complexos.


O papel do Teste PROLEC-SE-R na avaliação

O PROLEC-SE-R (Bateria de Avaliação dos Processos de Leitura – Ensino Secundário – Revisado) é um instrumento amplamente utilizado para avaliação dos processos leitores em adolescentes. Baseado em um modelo cognitivo da leitura, o teste permite analisar, de forma detalhada:

  • Identificação de letras e palavras;

  • Processos léxicos e sublexicais;

  • Compreensão de orações e textos;

  • Velocidade e precisão leitora.

O PROLEC-SE-R contribui para diferenciar dificuldades específicas de leitura de dificuldades decorrentes de outros fatores, como atenção, linguagem ou funções executivas, sendo um recurso fundamental para avaliações DO NEURODESENVOLVIMENTO. 


Avaliar para intervir com precisão

Avaliar leitura e escrita não é rotular, mas direcionar caminhos. Uma avaliação bem conduzida possibilita:

  • Planejamento de intervenções individualizadas;

  • Orientação adequada à família e à escola;

  • Prevenção de prejuízos acadêmicos e emocionais;

  • Promoção do desenvolvimento global do estudante.

Quando a avaliação é científica, ética e humanizada, ela se transforma em uma poderosa aliada da aprendizagem, da inclusão e do sucesso escolar.


Na Laços de Marias, realizamos avaliações do neurodesenvolvimento com base em instrumentos científicos e olhar individualizado, respeitando a singularidade de cada criança e adolescente.