Transtorno Específico da Aprendizagem ou Dificuldade de Aprendizagem? Entenda as diferenças segundo o DSM-5-TR

Uma das dúvidas mais frequentes que recebo durante as avaliações é:

"Meu filho está com dificuldade para aprender. Isso significa que ele tem um transtorno?"

A resposta é: nem sempre.

Embora muitas pessoas utilizem os termos como sinônimos, existe uma diferença importante entre dificuldades de aprendizagem e Transtorno Específico da Aprendizagem (TEAp).

Compreender essa diferença é fundamental para que a criança receba o suporte adequado e não seja rotulada de forma precipitada.

O que são dificuldades de aprendizagem?

As dificuldades de aprendizagem referem-se a desafios que podem surgir ao longo do processo escolar e que interferem temporariamente no desempenho acadêmico.

Essas dificuldades podem estar relacionadas a diversos fatores, como:

  • Mudanças familiares;

  • Aspectos emocionais;

  • Ansiedade;

  • Baixa autoestima;

  • Falhas pedagógicas;

  • Ausências escolares frequentes;

  • Déficits de atenção;

  • Alterações do sono;

  • Excesso de telas;

  • Problemas de adaptação escolar;

  • Condições médicas ou sensoriais não identificadas.

Nesses casos, quando a causa é adequadamente identificada e trabalhada, o desempenho acadêmico tende a melhorar significativamente.

Ou seja, a criança apresenta uma dificuldade para aprender, mas não necessariamente um transtorno do neurodesenvolvimento.


O que é o Transtorno Específico da Aprendizagem?

O Transtorno Específico da Aprendizagem é um transtorno do neurodesenvolvimento descrito pelo DSM-5-TR.

Ele se caracteriza por dificuldades persistentes e significativas na aquisição e no uso de habilidades acadêmicas, mesmo quando a criança teve acesso adequado ao ensino e apresenta oportunidades de aprendizagem compatíveis com sua idade.

Segundo o DSM-5-TR, as dificuldades precisam persistir por pelo menos seis meses, apesar de intervenções direcionadas.

Além disso, os prejuízos devem causar impacto real no desempenho escolar, profissional ou em atividades da vida diária.

Quais áreas podem ser afetadas?

O DSM-5-TR descreve três grandes áreas que podem apresentar comprometimento:

Leitura

Conhecida popularmente como Dislexia, pode envolver:

  • Leitura lenta;

  • Leitura imprecisa;

  • Trocas de letras;

  • Dificuldade para compreender textos;

  • Esforço excessivo para ler.

Escrita

Pode envolver dificuldades como:

  • Muitos erros ortográficos;

  • Organização inadequada das ideias;

  • Produção textual empobrecida;

  • Problemas na construção gramatical.

Matemática

Popularmente associada à Discalculia, pode incluir:

  • Dificuldade para compreender quantidades;

  • Problemas com operações matemáticas;

  • Baixa compreensão de conceitos numéricos;

  • Dificuldade na resolução de problemas.

É importante lembrar que essas dificuldades podem ocorrer isoladamente ou em conjunto.

Critérios diagnósticos segundo o DSM-5-TR

Para que o diagnóstico de Transtorno Específico da Aprendizagem seja considerado, alguns critérios precisam ser observados:

Critério A

Presença de dificuldades persistentes em habilidades acadêmicas, como leitura, escrita ou matemática.

Critério B

As habilidades acadêmicas encontram-se significativamente abaixo do esperado para a idade da criança.

Critério C

As dificuldades iniciam durante os anos escolares, mesmo que possam se tornar mais evidentes posteriormente.

Critério D

As dificuldades não são melhor explicadas por:

  • Deficiência intelectual;

  • Problemas visuais ou auditivos não corrigidos;

  • Transtornos neurológicos;

  • Falta de oportunidade educacional;

  • Ensino inadequado;

  • Outras condições médicas.

Por isso, uma avaliação completa é indispensável.

O que não deve ser confundido com transtorno de aprendizagem?

Nem toda criança que apresenta baixo rendimento escolar possui um transtorno.

É comum encontrarmos dificuldades relacionadas a:

  • Ansiedade;

  • TDAH;

  • TEA;

  • Alterações emocionais;

  • Mudanças familiares;

  • Déficits pedagógicos;

  • Problemas de sono;

  • Sobrecarga emocional.

Essas situações podem gerar dificuldades acadêmicas importantes, mas exigem intervenções diferentes das utilizadas em um Transtorno Específico da Aprendizagem.

Por que a avaliação é tão importante?

Quando uma criança apresenta dificuldades persistentes na escola, o mais importante não é buscar um rótulo.

O objetivo da avaliação é compreender:

  • O que está acontecendo;

  • Quais habilidades estão preservadas;

  • Quais áreas apresentam prejuízo;

  • Qual a origem das dificuldades;

  • Quais estratégias serão mais eficazes.

Uma avaliação baseada apenas em notas escolares ou observações isoladas pode não ser suficiente para identificar as reais necessidades da criança.

Como realizamos essa investigação?

Na Avaliação do Neurodesenvolvimento, investigamos o funcionamento global do indivíduo por meio de:

  • Anamnese aprofundada;

  • Observação clínica;

  • Avaliação cognitiva;

  • Avaliação das funções executivas;

  • Investigação emocional e comportamental;

  • Avaliação da linguagem;

  • Avaliação das habilidades acadêmicas;

  • Escalas e instrumentos científicos validados;

  • Análise baseada nos critérios do DSM-5-TR.

O objetivo não é apenas identificar dificuldades, mas compreender todo o perfil de funcionamento da criança.

Quando procurar ajuda?

É importante buscar orientação especializada quando a criança apresenta:

  • Dificuldade persistente para aprender;

  • Grande esforço para acompanhar a turma;

  • Queixas frequentes da escola;

  • Baixa autoestima relacionada ao desempenho acadêmico;

  • Frustração constante diante das atividades escolares;

  • Pouca evolução mesmo após reforço escolar.

Quanto mais precoce for a identificação das dificuldades, maiores são as possibilidades de intervenção e desenvolvimento funcional.

Uma mensagem para as famílias

Nenhuma criança é preguiçosa por não conseguir aprender da mesma forma que os colegas.

Quando existe uma dificuldade persistente, precisamos olhar além das notas e compreender o funcionamento daquela criança de forma individualizada.

O conhecimento transforma julgamentos em compreensão e dificuldades em possibilidades de desenvolvimento.

Agende sua Consulta Inicial

Sou Luana Aguiar, Psicopedagoga, Analista do Comportamento Aplicado (ABA), especialista em Psicopedagogia, Neuropsicopedagogia e Neuropsicologia, com atuação em Avaliação do Neurodesenvolvimento Infantil, Adolescente e Adulto.

Na Laços de Marias, realizamos avaliações individualizadas fundamentadas em evidências científicas e nos critérios do DSM-5-TR, buscando compreender cada indivíduo em sua totalidade.

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Será um prazer acolher sua família e ajudá-los a compreender melhor o processo de aprendizagem e desenvolvimento.