24 janeiro, 2026

Avaliar TDAH não é reconhecer sintomas isolados

A avaliação do Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) exige muito mais do que a simples identificação de comportamentos como desatenção, hiperatividade ou impulsividade. Avaliar TDAH é compreender o funcionamento atencional como um todo, dentro de um contexto cognitivo, emocional, comportamental e ambiental.

Reduzir o processo avaliativo a listas de sintomas ou à aplicação isolada de instrumentos compromete a precisão diagnóstica e pode gerar interpretações equivocadas, com impactos diretos no desenvolvimento acadêmico, emocional e social do indivíduo.


Atenção: um sistema complexo, não um sintoma único

A atenção não é uma habilidade única e homogênea. Ela é composta por diferentes sistemas, como:

  • Atenção sustentada;

  • Atenção seletiva;

  • Atenção alternada;

  • Atenção dividida;

  • Controle inibitório associado à autorregulação.

Na avaliação do TDAH, é fundamental compreender como esses sistemas funcionam de forma integrada, em diferentes contextos e demandas cognitivas. Dificuldades atencionais podem ter múltiplas origens e não são exclusivas do TDAH.

Perfil cognitivo: a base para uma avaliação consistente

Uma avaliação profissional de TDAH investiga o perfil cognitivo global, analisando não apenas a atenção, mas também:

  • Funções executivas (planejamento, organização, flexibilidade cognitiva);

  • Memória de trabalho;

  • Velocidade de processamento;

  • Linguagem;

  • Habilidades acadêmicas.

Esse mapeamento permite identificar padrões de funcionamento, pontos fortes e fragilidades, evitando conclusões simplistas e direcionando intervenções realmente eficazes.

Diagnóstico diferencial: um passo indispensável

Sintomas semelhantes aos do TDAH podem estar presentes em diversas condições, como:

  • Transtornos de aprendizagem;

  • Transtornos de ansiedade;

  • Alterações emocionais;

  • Transtornos do humor;

  • Questões sensoriais;

  • Privação de sono ou fatores ambientais.

O diagnóstico diferencial é essencial para distinguir o TDAH de outras condições ou identificar comorbidades. Sem essa etapa, há um risco significativo de diagnósticos imprecisos e intervenções inadequadas.

Integração de dados: onde a avaliação ganha sentido

A avaliação do TDAH não se baseia em um único dado. Ela exige a integração criteriosa de múltiplas fontes de informação, tais como:

  • Entrevistas clínicas com responsáveis e/ou com o próprio avaliado;

  • Histórico do desenvolvimento;

  • Observação comportamental;

  • Instrumentos padronizados e validados;

  • Informações escolares;

  • Análise do contexto familiar e social.

É essa integração que transforma dados em compreensão clínica, permitindo uma leitura global e coerente do funcionamento do indivíduo.

Critérios clínicos bem aplicados fazem a diferença

A aplicação correta dos critérios clínicos, conforme manuais diagnósticos reconhecidos, exige formação, experiência e julgamento clínico qualificado. Avaliar TDAH não é somar sintomas, mas analisar:

  • Frequência;

  • Intensidade;

  • Persistência ao longo do tempo;

  • Impacto funcional;

  • Presença em diferentes contextos.

Somente com critérios bem aplicados é possível diferenciar dificuldades transitórias de um transtorno do neurodesenvolvimento.

Instrumentos não substituem a avaliação profissional

Instrumentos de avaliação são recursos fundamentais, mas não são diagnósticos por si só. Eles auxiliam o profissional na coleta de dados, mas não substituem:

  • A análise clínica;

  • O raciocínio diagnóstico;

  • A compreensão do sujeito em sua singularidade.

É justamente esse olhar integrado e especializado que diferencia a simples aplicação de instrumentos de uma avaliação profissional de verdade.

Avaliar para compreender, não para rotular

Uma avaliação ética e bem conduzida tem como objetivo principal compreender o funcionamento atencional e cognitivo do indivíduo, orientar intervenções adequadas e promover desenvolvimento, autonomia e qualidade de vida.

Avaliar TDAH é um processo complexo, científico e humano — e deve ser tratado com a seriedade que ele exige.


Na Laços de Marias, realizamos avaliações do neurodesenvolvimento com base em critérios clínicos bem aplicados, integração de dados e instrumentos científicos, sempre com olhar individualizado e responsável.

 

24 janeiro, 2026

Por que avaliar leitura e escrita?

A avaliação da leitura e da escrita é um processo fundamental para compreender como a criança ou o adolescente aprende, quais habilidades já estão consolidadas e quais demandam intervenção especializada. Mais do que identificar dificuldades aparentes, avaliar permite compreender os processos cognitivos subjacentes ao aprender, possibilitando decisões pedagógicas e terapêuticas mais precisas, éticas e eficazes.


A importância da avaliação baseada em método científico

Avaliar leitura e escrita exige rigor técnico. Por isso, o processo deve ser fundamentado em método científico, utilizando instrumentos validados, padronizados e reconhecidos pela comunidade científica. Isso garante:

  • Confiabilidade dos resultados;

  • Comparação com parâmetros normativos;

  • Redução de vieses subjetivos;

  • Subsídios claros para diagnóstico e planejamento de intervenção.

Uma avaliação científica não se limita à observação do desempenho escolar. Ela investiga como o cérebro processa a informação, considerando aspectos cognitivos, linguísticos e executivos envolvidos na leitura e na escrita.


Leitura e escrita: processos cognitivos envolvidos

A aprendizagem da leitura e da escrita é multifatorial. Dificuldades nesses domínios raramente têm uma única causa. Entre os principais processos avaliados, destacam-se:

Atenção

A atenção é essencial para manter o foco na tarefa, selecionar estímulos relevantes e sustentar o esforço cognitivo durante a leitura e a produção escrita. Alterações atencionais podem comprometer:

  • Decodificação de palavras;

  • Fluência leitora;

  • Compreensão de textos;

  • Organização da escrita.

Memória de trabalho

A memória de trabalho permite manter e manipular informações temporariamente, sendo crucial para:

  • Relacionar sons e letras;

  • Integrar palavras ao sentido da frase;

  • Planejar e revisar o que está sendo escrito.

Déficits nessa função frequentemente impactam a compreensão leitora e a coerência textual.

Linguagem

A linguagem é a base da leitura e da escrita. A avaliação deve contemplar:

  • Vocabulário;

  • Consciência fonológica;

  • Processamento fonológico;

  • Compreensão oral;

  • Estrutura morfossintática.

Dificuldades linguísticas podem se manifestar como trocas na escrita, baixa fluência leitora e prejuízos na compreensão de textos.

Funções executivas

As funções executivas envolvem planejamento, organização, flexibilidade cognitiva, controle inibitório e monitoramento do próprio desempenho. Na leitura e escrita, são essenciais para:

  • Seguir instruções;

  • Organizar ideias;

  • Revisar textos;

  • Adaptar estratégias diante de erros.

Alterações executivas podem gerar produções escritas desorganizadas, leitura impulsiva ou dificuldades em compreender textos mais complexos.


O papel do Teste PROLEC-SE-R na avaliação

O PROLEC-SE-R (Bateria de Avaliação dos Processos de Leitura – Ensino Secundário – Revisado) é um instrumento amplamente utilizado para avaliação dos processos leitores em adolescentes. Baseado em um modelo cognitivo da leitura, o teste permite analisar, de forma detalhada:

  • Identificação de letras e palavras;

  • Processos léxicos e sublexicais;

  • Compreensão de orações e textos;

  • Velocidade e precisão leitora.

O PROLEC-SE-R contribui para diferenciar dificuldades específicas de leitura de dificuldades decorrentes de outros fatores, como atenção, linguagem ou funções executivas, sendo um recurso fundamental para avaliações DO NEURODESENVOLVIMENTO. 


Avaliar para intervir com precisão

Avaliar leitura e escrita não é rotular, mas direcionar caminhos. Uma avaliação bem conduzida possibilita:

  • Planejamento de intervenções individualizadas;

  • Orientação adequada à família e à escola;

  • Prevenção de prejuízos acadêmicos e emocionais;

  • Promoção do desenvolvimento global do estudante.

Quando a avaliação é científica, ética e humanizada, ela se transforma em uma poderosa aliada da aprendizagem, da inclusão e do sucesso escolar.


Na Laços de Marias, realizamos avaliações do neurodesenvolvimento com base em instrumentos científicos e olhar individualizado, respeitando a singularidade de cada criança e adolescente.

 

15 janeiro, 2026

Avaliação do Neurodesenvolvimento, Orientação Parental e Atendimento Especializado na Livance

Compromisso com o cuidado, a ética e o desenvolvimento humano

Meu trabalho é guiado por um princípio central: cuidar do desenvolvimento humano de forma ética, responsável e individualizada. Cada pessoa possui uma trajetória única, e por isso todo processo de avaliação ou acompanhamento deve ser conduzido com escuta qualificada, respeito à singularidade e fundamentação técnica.

Atuo com foco no atendimento infantojuvenil e de adultos, oferecendo avaliação do neurodesenvolvimento, orientação parental e suporte a contextos educacionais e institucionais. A prática clínica é baseada em uma abordagem integral, considerando aspectos cognitivos, emocionais, comportamentais e adaptativos, sempre contextualizados à realidade familiar, social e educacional do indivíduo.

Avaliação do neurodesenvolvimento: clareza, direcionamento e responsabilidade técnica

A avaliação do neurodesenvolvimento tem como objetivo compreender o funcionamento global do indivíduo, identificando potencialidades, necessidades específicas e possíveis indicadores que mereçam acompanhamento. Esse processo não tem como finalidade rotular, mas esclarecer, orientar e subsidiar decisões conscientes, favorecendo intervenções mais assertivas e alinhadas às necessidades reais de cada pessoa.

Todo o trabalho é realizado com base em critérios técnicos atualizados, respaldo científico e alinhamento às diretrizes éticas da prática profissional, garantindo segurança, confidencialidade e qualidade no atendimento.

Orientação parental como parte do processo terapêutico

A orientação parental é um eixo essencial da minha atuação. Famílias e cuidadores desempenham papel central no desenvolvimento emocional, comportamental e adaptativo, e receber orientação adequada contribui para relações mais saudáveis, seguras e funcionais.

Esse acompanhamento é conduzido de forma ética, acolhedora e fundamentada em evidências, oferecendo informações claras, estratégias práticas e suporte contínuo, respeitando a individualidade de cada família e seu contexto.

Atuação integrada com instituições e profissionais

Entendo que o cuidado em saúde e desenvolvimento humano vai além do atendimento individual. Por isso, mantenho uma atuação integrada, por meio de parcerias com instituições educacionais e profissionais da saúde, promovendo alinhamento de condutas, comunicação efetiva e maior consistência nos resultados.

Essa abordagem colaborativa amplia o impacto das intervenções e favorece processos mais sustentáveis ao longo do tempo.

Atendimento especializado na Livance

Atuar na Livance representa um alinhamento direto com meus valores profissionais. A Livance oferece um ambiente acolhedor, seguro e estruturado, que valoriza a excelência técnica, a ética profissional e a humanização do cuidado.

É nesse espaço que realizo atendimentos com qualidade, responsabilidade e respeito às pessoas que confiam em meu trabalho, fortalecendo processos de avaliação, orientação e acompanhamento com segurança e profissionalismo.

Propósito profissional

Meu propósito é contribuir para que indivíduos e famílias tenham mais clareza, orientação e caminhos possíveis para um desenvolvimento saudável, sempre com compromisso ético, embasamento técnico e sensibilidade humana.